Valle de Colchagua para amantes de vinhos

Dos pés da Cordilheira dos Andes até o Oceano Pacífico. Por aí se estende o Valle de Colchagua, uma das regiões de mais destaque na atividade vitivinícola do Chile. Fica a apenas 150 quilômetros ao sul de Santiago e seu clima e geografia são altamente favoráveis à produção de vinhos de qualidade. Não é à toa que ali ficam muitas das melhores vinícolas do país.

Mapa do valle de colchagua
Mapa ilustrativo: http://www.colchaguavalley.cl

Há registros de que os jesuítas começaram a produzir vinho no Valle de Colchagua em 1542, durante o período da conquista espanhola, para a celebração de missas.

Atualmente é uma excelente região do Chile para quem busca enoturismo.

Enoturismo no Chile

Em nossa segunda visita à região de Colchagua ficamos hospedados em Santa Cruz, que tem ótima estrutura para o turismo.

Da primeira vez, conhecemos algumas das principais vinícolas dos arredores, no outono: Casa Silva, Viu Manent, Clos Apalta (Lapostolle), Santa Cruz, Montes e Montgras. Veja os detalhes dessa viagem no post Santa Cruz: um roteiro romântico próximo a Santiago

Dessa vez fizemos um roteiro completamente diferente, pois há muitas opções.

O Valle de Colchagua é um destino para o ano todo, porque não importa o estágio em que estejam os vinhedos, as vinícolas são muito bonitas e os vinhos excelentes. Sem falar no charme das hospedagens e na gastronomia.

Era inverno, e nessa época as parreiras estão secas e sem muita cor. No entanto, tem coisa melhor do que tomar um bom vinho no frio?

O que fazer no Valle de Colchagua

Dia 1

Chegamos em uma sexta-feira a noite e fomos jantar no Ristorante Vino Bello, bem recomendado por ali. Achamos ok. Não se compara ao estilo dos restaurantes das vinícolas, mas era próximo do hotel e fomos bem atendidos. Estávamos cansados e o fato de ter sido rápido foi bastante conveniente.

Restaurante Vino Bello, em Colchagua
Restaurante Vino Bello, em Colchagua

Dia 2

O dia seguinte foi cheio de enoturismo! Iniciamos nosso passeio visitando a vinícola Neyen.

Ali estão as parreiras mais antigas do Valle de Colchagua, com mais de 100 anos! Isso significa dizer que essas plantas produzem menos fruta do que as parreiras jovens, mas com qualidade superior. A vinícola é maravilhosa.

Produz só 12 mil garrafas ao ano, de um vinho biodinâmico de alta qualidade.

A arquitetura traz um contraste curioso do antigo e o moderno e as árvores centenárias ao redor mostram que aquele canto de terra tem muita história.

Os ambientes internos da vinícola Neyen lembram um castelo medieval
Os ambientes internos da vinícola Neyen lembram um castelo medieval

Foi essa vinícola que inspirou a criação de outra vinícola espetacular, a VIK, que fica em uma região vizinha. Valeu demais o passeio!

Nossa próxima visita foi na vinícola Ventisquero.

Para quem gosta de paisagens verdes, o mirante onde é realizada a degustação é um prato cheio.

Degustação da vinícola Ventisquero é feita na varanda de um mirante
Degustação da vinícola Ventisquero é feita na varanda de um mirante

A Ventisquero tem quatro vinhos considerados top de linha, por valores mais acessíveis, se comparados aos de outras vinícolas. Provamos o Vértice e trouxemos um conosco, afinal não é sempre que dá para ter um ícone em casa!

Enoturismo no Valle de Colchagua
Enoturismo no Valle de Colchagua

Saímos de lá e partimos para o nosso tão esperado almoço no restaurante Fuegos de Apalta, que fica na vinícola Montes. Demais! O drink, o couvert, a entrada, o principal e a sobremesa. Eles conseguiram acertar em tudo. A foto mal consegue representar a delícia que estava o prato.

Os pontos perfeitos de Mallmann
Os pontos perfeitos de Mallmann

O chef argentino Francis Mallmann é reconhecido pelo preparo perfeito de carnes. Ao centro do restaurante, há uma grande parrilla redonda de onde só saem alimentos no ponto ideal. Isso inclui os legumes e peixes, além das carnes, claro.

Parrilla do restaurante Fuegos de Apalta, em Colchagua
Parrilla do restaurante Fuegos de Apalta
Comida perfeita e ambiente agradável no restaurante Fuegos de Apalta, em Colchagua
Comida perfeita e ambiente agradável no restaurante Fuegos de Apalta

Bem próximo dali, fica a vinícola Las Ninas, que tem esse nome devido a ter sido projetada e construída apenas por mulheres. Tivemos uma grata surpresa ao chegar. Centenas de ovelhas estavam andando e bééééérrando por ali. Achamos que eram animais do local, mas não, e depois da explicação nos pareceu um tanto óbvio.

Ovelhas pelo vinhedo da vinícola Las Ninas, em Colchagua
Ovelhas pelo vinhedo da vinícola Las Ninas

Elas são pastoreadas para outra área quando as parreiras começam a brotar, senão comem tudo! Nessa época de inverno, fazem um importante trabalho “aparando” o pasto e adubando os vinhedos naturalmente.

Para quem procura vinhos leves de valores bem acessíveis, esse é o lugar certo.

Para jantar fomos novamente a um restaurante próximo ao centro de Santa Cruz, o Casa Colchagua. Em minha opinião, como o Vino Bello, foi ok. O cardápio tinha opções mais elaboradas, porém eu tinha outra expectativa baseada nas recomendações. De qualquer forma, atendeu ao propósito e o atendimento também foi muito bom.

Restaurante Casa Colchagua em Santa Cruz
Restaurante Casa Colchagua em Santa Cruz

Dia 3

No domingo nos programamos para visitar algumas vinícolas sem ter conseguido reservá-las com antecedência. Sabíamos da possibilidade de estarem fechadas, mas fomos mesmo assim. Demos com a cara na porta na vinícola Estampa e na Siegel, que ficam em Palmilla, a 10 minutos de Santa Cruz.

Vinícola Siegel, em Palmilla
Vinícola Siegel, em Palmilla

No caminho de volta passamos na Laura Hartwig. Conhecemos os vinhos e a história da vinícola informalmente. Como o tempo estava curto, não fizemos o tour, que é com charrete.

Vinícola Laura Hartwig, em Colchagua
Vinícola Laura Hartwig

Passeio cultural

Fomos conhecer o Museo Colchagua!

Fica bem no centro, quase na Plaza de Armas e é muito diversificado. São 4.000 m² de exibição. Tem de tudo. Ficamos impressionados com variedade de objetos e temas. Fósseis, artesanatos, artigos de guerra, peças pessoais dos descobridores, maquinário agrícola, joias e tantos outros.

Minhas áreas preferidas foram a das carruagens e a de maquinário antigo, como a prensa de jornal, as vitrolas e os equipamentos de mergulho.

Área das carruagens no Museu Colchagua
Área das carruagens no Museu Colchagua

Vale muito a pena conhecer esse museu!

Abre de segunda a domingo das 10h às 19h. O valor de entrada foi 7 mil pesos por pessoa (cerca de 40 reais), mas tem preço especial para estudantes, crianças e maiores de 60 anos.

O conhecido e muito bem localizado Hotel Santa Cruz Plaza, fica praticamente dentro do Museo Colchagua.

Hotel Santa Cruz
Hotel Santa Cruz

Encerramos nosso passeio novamente com a sensação de que ainda há muito para ver no Valle de Colchagua!

Onde ficar em Santa Cruz

Ficamos hospedados no hotel Hoja de Parra. É um lugar simples, tranquilo e muito simpático, com ótimo atendimento.

Hotel Hojas de Parras
Hotel Hojas de Parras

Para a ocasião foi a escolha perfeita, pois aceitam animais de estimação e estávamos com nossa duplinha.

Viajando com gatinhos
Viajando com gatitos

Mas, para outras situações, há acomodações com melhor custo x benefício. Listei algumas opções abaixo.

Vale um parêntese aqui para comentar que quem viaja com pets precisa conhecer bem o animal, considerar adaptações e avaliar se seu comportamento permite uma estadia tranquila, sem transtornos para a propriedade e com segurança para o bichinho. Essa foi nossa primeira experiência e, como deu certo, pretendemos ter outras.

Hotéis bem avaliados na região

Clique nos links para ver informações de cada hotel.

Cava Colchagua Hotel Boutique (Santa Cruz) – nesse hotel você dorme dentro de uma barrica gigante de vinho.

Clos Apalta Residence (Santa Cruz)

Hotel Boutique La Sara (Santa Cruz) – ficamos nesse hotel na primeira vez que viajamos a Santa Cruz. É maravilhoso!

Hotel Casa Silva (San Fernando)

Hotel Santa Cruz Plaza (Santa Cruz)

Hotel Terraviña (Santa Cruz)

NOI Blend Colchagua (Santa Cruz)

2 comentários Adicione o seu

  1. Esther Bonetti disse:

    Foi como eu estivesse fazendo uma volta ao passado. Anei este post!!!!

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