Patagônia Chilena: como é viajar ao fim do mundo

Sabe aquele livro, 1000 lugares para conhecer antes de morrer?

Minha vontade é poder visitar todos os destinos sugeridos ali. Mas, como tempo e dinheiro impõem limite a essa ambição, vez ou outra folheio as páginas para colocar alguns daqueles lugares na minha lista de desejos especiais.

Um dia, agora já há alguns anos, fiz uma brincadeira dizendo que abriria uma página aleatória e teria como meta conhecer um destino descrito nela. Apesar de ser uma brincadeira, fiquei torcendo muito para ser surpreendida. Parque Nacional de Torres del Paine, na Patagônia! Li o pequeno extrato sobre o local e …uau! Adorei a ideia. Logo fui pesquisar para ver, quem sabe, se não poderia ir para lá já nas férias seguintes. Ficou evidente que não é o local de mais fácil acesso, tampouco o mais barato. Coloquei o plano em espera, até que surgisse a melhor oportunidade de visitar a Patagônia Chilena.

Parque Nacional Torres del Paine
Parque Nacional Torres del Paine

Mudamos para o Chile, e o momento chegou! Pesquisei mais a fundo e descobri que a região oferece atrativos muito além do Parque Torres del Paine. Então, planejei o roteiro incluindo a exploração dos arredores.

Foram seis dias de viagem ao fim do mundo, como é conhecida essa região do extremo sul do Chile!

Leia também o post Torres del Paine: o que saber antes de ir.

Dia 1 – Puerto Natales na Patagônia Chilena

Moro em Santiago. Então, a partir daqui, peguei um voo de 3h30 até Punta Arenas – aeroporto Carlos Ibáñez del Campo (PUQ), onde retirei o carro alugado previamente pelo site Rentalcars (uso em todas as minha viagens).

Guichê para aluguel de carros no aeroporto de Punta Arenas
Aluguel de carros no aeroporto de Punta Arenas

Pela Ruta 9, ou Ruta del Fin del Mundo, viajei de Punta Arenas até Puerto Natales. São 3 horas de estrada e me planejei para pernoitar na cidade antes de seguir ao Parque. A rodovia é asfaltada nesse trecho e tem muitos recuos próprios para paradas e fotos. É uma viagem bem bonita e com bastante fauna.

Estrada de Punta Arenas a Puerto Natales
Estrada de Punta Arenas a Puerto Natales

Puerto Natales, geralmente, é ponto de parada de turistas, já que em Torres del Paine não tem comércio (nem posto de gasolina).

Estátua do Milodón na entrada de Puerto Natales
Estátua do Milodón na entrada de Puerto Natales

Além de encontrar mercados, casas de câmbio, agências de turismo, restaurantes, etc., a pequena cidade tem atrativos e vistas lindas, às margens do fiorde Última Esperança. Vale muito a pena reservar um ou dois dias para ficar lá.

Fiorde Ultima Esperanza em Puerto Natales, patagônia chilena
Fiorde Ultima Esperanza em Puerto Natales

Me hospedei no Altiplanico Puerto Natales (a 2 km da cidade). Como estava de carro, dei preferência a ficar de frente para o fiorde. Mas mesmo sem carro, chegar ao centrinho é muito tranquilo. Tem pista beira-mar para ir caminhando ou taxis, que fazem o serviço desse hotel até qualquer ponto da cidade por 2.500 pesos (cerca de 13 reais).

Gostei demais. Café da manhã, aquecimento, chuveiro e cama ótimos. Os quartos têm um janelão, com vista para o fiorde, que dá vontade de olhar o dia inteiro.

A vista dos quartos no Hotel Altiplanico em Puerto Natales parecem quadro
A vista dos quartos no Hotel Altiplanico parecem quadro

Acordar e ver o sol nascer por ali foi muito lindo! E o pôr do sol também! A internet funcionou bem, inclusive no quarto, e eles deixam computadores à disposição dos hóspedes.

Pôr do sol visto do quarto do hotel Altiplanico Puerto Natales
Pôr do sol visto do quarto do hotel Altiplanico Puerto Natales

O Altiplanico tem dois spas em área privada e ao ar livre. Podem ser utilizados sem custo adicional. Imagine: você, seu acompanhante, uma água quentíssima e uma vista sensacional.

Spa do hotel Altiplanico Puerto Natales
Spa do hotel Altiplanico Puerto Natales

Na cidade tem museu, cassino, feirinha de artesanatos, igreja, praça matriz e comércio geral.

Igreja e praça matriz de Puerto Natales, na Patagônia Chilena
Igreja e praça matriz de Puerto Natales, na Patagônia Chilena

Em cerca de duas horas dá para fazer um city tour completo. Evite a hora de almoço, pois fica tudo fechado. O dia estava bonito e com pouco vento, então foi uma delícia, principalmente, caminhar pelo calçadão beirando a baía.

Calçadão de Puerto Natales, na patagônia chilena
Calçadão de Puerto Natales

Almocei e comprei algumas coisas no mercado Unimarc para levar a Torres del Paine.

Dia 2 – Parque Torres del Paine

Tomei um super café-da-manhã, enchi o tanque de gasolina e sai rumo a Torres del Paine.

A rota curta, como chamam por ali, segue pela Y-290, passando pela Cueva del Milodón, um atrativo turístico que fiz na volta. São 80 km em uma estrada de pedrisco.

Estrada entre Puerto Natales e Torres del Paine
Estrada entre Puerto Natales e Torres del Paine

A velocidade máxima sugerida é 60 km por hora e, em alguns trechos, nem dá pra chegar a isso. Tinha obras e desvios. Demorei duas horas até o Patagonia Camp, onde fiquei hospedada, mas parei algumas vezes para fotos.

Paisagem no caminho a Torres del Paine
Paisagem no caminho a Torres del Paine

Fiz check in, pus um lanche e água (comprados em Puerto Natales) na mochila e saí para o Parque o mais rápido que pude. Esse dia também estava bonito e quase sem vento, com temperatura amena. Ou seja, clima perfeito para fotos.

Do Patagonia Camp até o acesso do Parque, pela Portaria Río Serrano, são 20 minutos. Levei quase uma hora, porque fui parando nos mirantes da estrada. Um mais incrível que o outro e não dava para perder as paisagens nesse dia de sol.

Mirante Grey a caminho do Parque Torres del Paine
Mirante Grey a caminho do Parque Torres del Paine

Chegando na portaria fiz o procedimento de registro e pagamento, pedi dicas e tive a confirmação de que internet não está nem perto de existir por ali. Comunicação apenas por rádio.

Informações importantes sobre os acessos do Parque, tarifas, passeios, hospedagem, entre outras, estão no post Torres del Paine: o que saber antes de ir.

As rotas e mirantes do Parque Torres del Paine

Via para circulação de veículos dentro do Parque Torres del Paine
Via para circulação de veículos dentro do Parque Torres del Paine

Basicamente, as vias do Parque para veículos fazem um “V”. Mas o braço da direita é muito mais longo do que o braço da esquerda. Considere que a portaria Río Serrano, que foi meu acesso, fica na junção do “V”. No meio fica o maciço.

Decidi fazer o braço da direita nesse dia. Sabia que não era o ideal, porque já eram duas da tarde, mas a previsão para o dia seguinte era de chuva eu quis aproveitar o sol para as fotos. Nessa rota, que vai até a lagoa Azul, fica a maior parte dos mirantes.

Para se ter uma ideia, de ponta a ponta, sem parar pelo caminho, o percurso leva cerca de duas horas indo na velocidade recomendada, 50 km ou 60 km por hora.

Desse lado do Parque também tem bastante fauna.

Nem os guanacos resistem à beleza das Torres...
Nem os guanacos resistem à beleza das Torres…

São mais de 15 mirantes, poucos com acesso em veículo. Na maioria é preciso parar nos estacionamentos indicados e caminhar pelas trilhas (essa da foto abaixo é bem curtinha, 10 minutos, mas há outras de horas).

Trilha de acesso à cachoeira
Trilha de acesso à cachoeira
Salto Grande: fluxo de 100 mil litros por segundo em Torres del Paine
Salto Grande: fluxo de 100 mil litros por segundo

Se possível, reserve ao menos dois dias apenas para o lado direito do Parque. Assim terá tempo para fazer algumas trilhas. São elas que levam aos pontos mais interessantes.

Lago Pehoé na patagonia chilena
Lago Pehoé, na Patagônia Chilena

Fiz o percurso de carro parando em todos os cantos sinalizados como permitidos, mas sem fazer os trekkings.

Rio da patagonia chilena
Rios e lagoas em tons que variam entre o verde, o azul e o cinza

A vista do maciço de montanhas pontiagudas fica mais linda a cada quilômetro rodado.

Vista das Torres del Paine a caminho da lagoa Azul
Vista das Torres a caminho da lagoa Azul

A partir de certo ponto, a paisagem começa a mudar e os animais aparecem por todos os lados, inclusive na via. O Parque tem guanacos (parecidos com uma llama), pumas, condores, avestruzes, entre outros.

Setor Laguna Azul de Torres del Paine
Setor Laguna Azul
O guanaco é um animal muito comum na fauna do Parque
O guanaco é um animal muito comum na fauna do Parque

Por cinco horas circulei naquele lado do Parque rodeada de paisagens incríveis.

Puente Weber na Patagonia chilena
Puente Weber: a cor da água é impressionante
Lagoa Azul: ao norte do Parque Torres del Paine
Lagoa Azul: ao norte do Parque

Até então, só tinha conhecido uma natureza tão diferente e selvagem, no deserto de Atacama, lá no outro extremo do Chile. Leia sobre esse destino no post Deserto de Atacama em 4 dias.

Voltei ao hotel quando começou a escurecer, com a sensação de não ter explorado suficientemente o lugar. Gostaria de ter tido tempo para chegar em mais mirantes, já que não tenho prática, nem preparo físico, para os longos trekkings.  A quem tem esse perfil e curte acampar, inclusive em condições climáticas extremas, a viagem pode ser completamente diferente, com atividades no Parque para mais de uma semana.

Dia 3 – Parque Torres del Paine (geleira Grey)

No dia seguinte, o plano foi conhecer o lado esquerdo do Parque, que de ponta a ponta leva uns 40 minutos para percorrer em veículo, até o lago Grey. É dali que saem embarcações para a geleira Grey.

A previsão do tempo se confirmou e amanheceu nublado.

Lago Grey na patagonia chilena
Lago Grey

Quem quer muito ver o glaciar de perto é bom reservar com antecedência. Não é todo dia que tem a navegação, pois depende de condições climáticas. Para reservar antes, o hotel pode lhe ajudar, a portaria do Parque tem os contatos, tem site… enfim, sem muito segredo.

Eu não tinha certeza se queria fazer esse passeio, então deixei para comprar na hora, sabendo que talvez não fosse possível. Os ingressos são vendidos no hotel Grey.

Acabou dando certo. A navegação custou 75.000 pesos (mais ou menos 400 reais!) na baixa temporada e seria 80.000 na alta (a partir de novembro). Inclui um pisco. É uma atividade cara.

Comprei o ingresso (confesso, com um pouco de dor no coração), e fui para o local de embarcar. É próximo do hotel Grey e tem transfer incluído no valor. Mas preferi ir com o carro, em 5 minutos. Tem estacionamento, a cafeteria Pingo, sanitários, posto de informação do Parque e algumas trilhas para trekking a dois miradores.

Ponto de serviços próximo à embarcação para a geleira Grey
Ponto de serviços próximo à embarcação para a geleira Grey

Comi um lanche ali e achei que teria wifi… mas não! Paguei 7.500 pesos no sanduíche (cerca de 40 reais), no entanto era enorme!

Segui para a trilha obrigatória até a embarcação. São uns 40 minutos de caminhada fácil e bonita.

A trilha atravessa o rio Pingo por uma ponte bem bonita!

Caminho até a embarcação Grey
Caminho até a embarcação Grey

Depois tem uma caminhada de mais uns 500 metros por um bosque.

Trilha próxima ao lago Grey
Trilha próxima ao lago Grey

Então, chega a um lugar muito curioso, pois é uma parte seca do lago, que só enche no verão. Ou seja, você caminha dentro do lago seco.

Parte seca do lago Grey
Parte seca do lago Grey

Mais próximo à margem do lago Grey é possível avistar pedaços gigantes de gelo, que se desprendem da geleira e flutuam até ali.

Lago e geleira Grey na patagônia chilena
Lago Grey: água de cor cinza devido aos sedimentos glaciares

Embarcamos e atravessamos os 15 km do lago até a geleira. O barco é alto-astral, com música animada, bar e beliscos. Tem banheiros também.

Embarcação do lago Grey, até a geleira
Embarcação cruza 15 km através do lago Grey, até a geleira

É um passeio lindo, especialmente, para quem nunca viu uma geleira.

Vista durante a navegação no lago Grey
Vista durante a navegação no lago Grey
Geleira Grey no Parque Torres del Paine
Geleira Grey no Parque Torres del Paine

Fiquei impressionada com o azul das fendas no gelo.

O incrível tom de azul entre as fendas da geleira
O incrível tom de azul entre as fendas da geleira Grey

O percurso de ida e volta dura três horas, mas considerando desde a saída até o retorno ao hotel é um passeio de praticamente o dia todo.

Às 16h00 iniciamos o retorno pela trilha. Um friooooooo! Mesmo cheia de capote foi difícil de aguentar. Ventava muito.

Na volta ao hotel aproveitei para tirar mais algumas fotos nos mirantes.

Acomodações à beira do rio Serrano
Vista do mirante Río Serrano na saída do Parque

A hospedagem no Patagonia Camp

Eu me hospedei no Patagonia Camp, porque achei interessante e diferente a proposta das acomodações, em tendas de luxo (ou Yurts).

O interior aconchegante das tendas do hotel Patagônia Camp
O interior aconchegante das tendas do hotel Patagônia Camp

A tarifa all inclusive não faz muito sentido para quem está de carro, pois inclui transfers desde Punta Arenas e passeios que se pode fazer por conta própria. Escolhi o sistema bed & breakfast. Apenas café da manhã incluso, com pagamento adicional das refeições e passeios que porventura fizesse.

A vista seria linda, se eu tivesse uma, mas meu quarto era um dos poucos que dava pra lugar nenhum (provavelmente a tarifa B&B me tirou esse direito).

O hotel fica no alto, à beira do lago Toro. Gente, é lindo… mas, tem acomodações mais próximas ao Parque.

Yurts do Patagonia Camp à beira do lago Toro
Yurts do Patagonia Camp à beira do lago Toro

O café da manhã achei ok. Cama muito boa e chuveiro também ok. A tenda é top! Aconchegante, quentinha e muito bem decorada.

 Dia 4 – Puerto Natales (Cueva del Milodón)

Era dia de retornar a Puerto Natales. E uma surpresa… durante o café da manhã começou a nevar. Peguei todos os climas possíveis em Torres del Paine. Foi demais!

Neve em Torres del Paine, na patagônia chilena
Neve em Torres del Paine, na Patagônia Chilena

Na volta pela rota Y-290, já mais próximo a Puerto Natales, fica a Cueva del Milodón.

Acesso à Cueva del Milodón
Acesso à Cueva del Milodón

Dei uma paradinha para conhecer esse ponto turístico de Puerto Natales.

É uma caverna gigantesca, onde foram encontrados, cerca de 120 anos atrás, os restos de um milodón.

Cueva del Milodon na patagonia chilena
A caverna é enorme (dá pra ver a pessoinha de azul lá no fundo?)

Era um mamífero, herbívoro, de 2 metros de altura, que viveu na Patagônia há mais de 10 mil anos. É o símbolo de Puerto Natales.

O milodón e eu
O milodón e eu

A entrada custa 5.000 pesos (28 reais) na alta temporada e 2.000 (12 reais) na baixa e dá acesso a três cavernas, um mirador que fica em cima da Cueva del Milodón e à Silla del Diablo (cadeira do diabo), uma rocha que resistiu à erosão do gelo e da água.

Gostei de conhecer!

Que furada…

Segui viagem e… o que temi a viagem toda, aconteceu. Furou o pneu do carro. Agradeci tanto por isso ter acontecido na estrada e não dentro de um parque cheio de pumas… Nessa via, não asfaltada, também passa pouca gente, mas passa, porque é o caminho principal entre o Parque e Puerto Natales. Não tem internet, então desliguei o carro e esperei.

Parou um casal com quatro filhos, todos chilenos, em férias. Foram queridíssimos e abriram mão do tempo de sua viagem para me ajudar. Aliás, enquanto trocavam o pneu (e eu tentava aprender), me contaram que no dia anterior, o mesmo aconteceu com eles.

Passou uma picape nesse meio tempo e perguntou se estava tudo bem. Explicaram a situação e… parou também! O moço da picape estava com a esposa e duas filhinhas no carro, uma de 4 meses! Me ouvindo agradecer por toda a ajuda, ele disse: “não se preocupe, é impossível vir à Patagônia e não ter um pneu furado…”

"É impossível vir à Patagônia e não ter um pneu furado"
“É impossível vir à Patagônia e não ter um pneu furado”

Se eu já gostava de chileno, agora gosto mais!

Bem, moral da história: não venha à Patagônia sem saber trocar pneu.

Mesmo dirigindo bem devagar em todos os percursos, para tentar preservar os pneus já desgastados, um deles não resistiu. São muitos quilômetros em pedrisco. Na devolução do carro abri uma reclamação junto à Europcar, devido à condição que os pneus me foram entregues.

Finalmente cheguei a Puerto Natales e dessa vez me hospedei no Weskar Lodge, para conhecer outro hotel.

Hotel Weskar Lodge
Hotel Weskar Lodge

Fica ao lado do hotel Altiplanico, na beira-mar, mas mais perto da entrada da cidade (cerca de 1 km). A vista é linda, ótima localização e funcionários bem atenciosos. Mas os quartos são mais antigos, o chuveiro não era dos melhores e o café da manhã foi ok. Cama confortável e boa calefação.

Puerto Natales vista do hotel Weskar
Puerto Natales vista do hotel Weskar

É um bom hotel, mas gostei mais do Altiplanico. Principalmente, levando em consideração que os dois têm custo similar.

Fui comer algo na cidade enquanto aguardava o horário de reabrir o comércio, para levar o pneu furado numa borracharia.

Paguei 5 mil pesos (28 reais) para consertar o estepe que, segundo o borracheiro, tinha um furo enorme. Essa borracharia fica ao lado do único posto de combustível da avenida beira-mar (espero que ninguém precise, mas… “vai que”).

Borracharia em Puerto Natales
Borracharia em Puerto Natales

Dia 5 – Puerto Natales (lagoa Sofía)

Tive uma surpresa quando olhei pela janela ao acordar. A paisagem tinha mudado completamente (compare com a foto lá de cima)!

Puerto Natales vista do hotel Weskar com neve
Puerto Natales vista do hotel Weskar com neve

Nevou à noite e estava tudo branquinho. Lindo!

O que fazer em Puerto Natales

Eu tinha ainda uma listinha de passeios para fazer nos arredores de Puerto Natales.

  1. Subir o cerro Dorotea, até o mirante que dá vista para a cidade. Mais ou menos 1h30 de trekking. No hotel me explicaram que há uma senhorinha que recebe os turistas, explica a trilha e, no retorno, oferece um café ou chá além de bater um papinho. Esse passeio dá para fazer por conta se estiver de carro.
  2. Navegar até as geleiras Balmaceda e Serrano.
  3. Conhecer a lagoa Sofía.

Pensei em fazer a lagoa pela manhã e o cerro à tarde. Acabei desistindo do cerro Dorotea, por conta da neve. A navegação não priorizei, pois já tinha feito geleira Grey.

Reservei o passeio até a lagoa Sofía no hotel, no dia anterior. Mas pelo site da Pingo Salvaje, é possível escolher entre uma variedade de atividades oferecidas na Estância Laguna Sofía. Tem cavalgada de diversas durações (eu quis fazer a curta, pois apesar dos cavalos estarem superbem cuidados e serem criados soltos, eu tenho peninha…), dá para fazer trekking, tem mirantes e a lagoa é linda! Vale a pena dar uma voltinha por lá.

Laguna Sofía, na Patagônia
Laguna Sofía, na Patagônia

Eu era a única a fazer o passeio naquele dia (há poucos turistas na região, então não é surpresa encontrar os pontos turísticos vazios). Me pegaram no hotel no horário combinado. O percurso é curto até a Estância, mas como já tinha visto a previsão de neve, preferi não ir por minha conta. Foi a melhor coisa, porque a estrada de acesso ainda tinha bastante neve e… a caminhonete atolou!

Caminhonete atolada na neve
Ops…

A Patagônia é para os fortes (risos)! Eu quis seguir uma parte do caminho a pé, até que viessem nos resgatar, para tirar fotos e me divertir na neve.

Brincando na neve na patagonia chilena
Ainda bem que atolou!

Aquele dia, todo aquele branco foi uma das coisas mais lindas que já vi.

Até as árvores estavam carregadas de neve
Até as árvores estavam carregadas de neve

Não tenho muitas fotos da cavalgada, pois estava um frio congelante que sugou toda a bateria do celular e, além disso, era difícil segurar as rédeas do Bonny e tentar tirar fotos ao mesmo tempo.

Lagoa Sofía: eu e o Bonny
Lagoa Sofía: eu e o Bonny

O passeio foi uma delícia e a neve deu um toque especial!

Um dia cheio de neve!
Um dia cheio de neve!

Onde comer em Puerto Natales

Creperia – comi um crepe salgado e um doce. O salgado estava bem bom, mas o doce fizeram com massa salgada… Paguei 5.000 pesos (28 reais) em cada crepe e eram bem grandes.

Restaurante Angelica’s – pedi nhoque ao molho quatro queijos excelente (9.600 pesos ou quase 50 reais). E o serviço foi muito rápido, como eu gosto.

Restaurante Enoo – fica no hotel Weskar e tem uma vista maravilhosa da baía. Não tem muita diversidade no cardápio, mas os pratos são bem grandes e o valor foi justo.

Vista do restaurante Enoo
Vista do restaurante Enoo

Restaurante Afrigonia – foi muito bem recomendado! Tentei ir duas vezes e estava fechado. Acho que só abre para o jantar.

Mesita Grande – opção para quem gosta de pizza, também foi bem recomendada, mas não deu tempo de experimentar.

Dia 6 – Punta Arenas

Deixei Puerto Natales após o café da manhã e peguei a Rota do Fim do Mundo (Ruta 9) para voltar a Punta Arenas, de onde saiu meu voo no fim do dia. Apesar da neve nas laterais da rodovia a pista já estava limpa e seca.

Após três horas de viagem cheguei à capital da Região de Magallanes y Antártica Chilena. Punta Arenas fica às margens do estreito de Magalhães, uma importantíssima passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico. É uma cidade portuária, grande para os padrões locais, ainda assim, pequena. Passei pelos pontos turísticos principais sem demorar, pois tinha apenas algumas horas. Mas, no fim, deu para conhecer muita coisa.

O que fazer em Punta Arenas

Vou listar o que me pareceu interessante, sem entrar no óbvio (praças, igrejas, museus, monumentos, que tem também!).

Cemitério Municipal Sara Braun – legal! Do que consegui conhecer em Punta Arenas, esse foi o passeio que mais gostei! O jardim é muito bonito, lotado de ciprestes podados num formato bem peculiar. Dá para se perder no meio deles. Mas cuidado, ficar perdido em cemitério pode dar um medinho…

Ciprestes do cemitério de Punta Arenas
Ciprestes do cemitério de Punta Arenas
Passeando no cemitério mais legal que já conheci, em Punta Arenas
Passeando no cemitério mais legal que já conheci!

Mirante Cerro de la Cruz – vista da cidade e ao fundo o Estreito de Magalhães, dá para ir a pé ou de carro. Na minha opinião é o tipo de lugar para ir, tirar aquela foto do tipo estive aqui e partir pro próximo.

Vista de Punta Arenas
Vista de Punta Arenas

Calçadão – estava muito vento e começou a chover quando cheguei, mas rende uma caminhada à beira do famoso e importante estreito, passando por monumentos (aliás a cidade tem diversos). A lojinha de informações turísticas fica ali. Tem estacionamento ao lado.

Calçadão de Punta Arenas
Calçadão de Punta Arenas

Zona Franca – é um grande centro de lojas onde, teoricamente, os preços são mais baixos. Fui até lá, mas não entrei. Algumas pessoas me disseram que sim, os preços valem a pena, outras disseram que nem tanto. Infelizmente, não tive tempo para conferir, mas fica a dica!

Isla Magdalena – há um tour navegação de meio dia que leva até esse refúgio de pinguins, entre novembro e março, quando as aves estão na pequena ilha. Quando estive lá não era temporada. Custo: 50.000 pesos (270 reais).

Parque del Estrecho de Magallanes – fica 50 km ao sul de Punta Arenas, em uma península que entra 4 km no estreito. Oferece atividades variadas acerca da história local. Tarifa de entrada para adultos: 16.000 pesos (90 reais)

Club Andino – é um centro de ski bem próximo à cidade, pequeno, mas um dos poucos no mundo com vista para o mar. Clique no link do site para consultar tarifas (são várias) e datas das temporadas.

*Os valores mencionados no post são de setembro 2018.

1 comentário Adicione o seu

  1. Esther Bonetti disse:

    Você está virando fotógrafa profissional!!!! Que fotos espetaculares!!!!

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