Com pets na bagagem

Logo que soubemos sobre nossa possível mudança de país, as primeiras coisas que pesquisamos foram:

  1. Segurança;
  2. Como levar animais de estimação para o Chile, pois estava fora de cogitação deixar nossos dois gatinhos para trás.

Quem tem filhos peludos sabe que o transporte dos bichanos é um dos assuntos de maior tensão (ao menos para mim foi).

Quais as opções para levar animal de estimação ao Chile?

Ao pesquisarmos as alternativas para levar animal de estimação para o Chile, nos deparamos com três possibilidades: vir de carro, despachá-los no bagageiro do avião ou trazê-los na cabine conosco.

Descartamos a opção de despachá-los assim que tivemos a confirmação de que atendiam todas as exigências para virem na cabine.

Relutei um pouco para abrir mão da alternativa de vir por terra fazendo diversas paradas, afinal já tinha pesquisado que a viagem de carro do Brasil ao Chile é linda, o estresse para eles poderia ser menor, haveria mais espaço para trazer bagagem… Mas no fim das contas havia muito mais o que se considerar: O que fazer com o carro brasileiro ao chegar no Chile? Como seria a liberação dos pets em pelo menos duas fronteiras (Argentina e Chile)? Seria mesmo menos estressante viajar por cerca de 8 a 10 dias? Haveria hotéis que aceitam animais de estimação em todas as paradas necessárias? As estradas são bem sinalizadas?

Finalmente, nos decidimos pela opção de os pets virem na cabine.

Chico ajudando a arrumar as malas
Chico ajudando a arrumar as malas

As regras da companhia aérea para o transporte de animais

No caso da companhia aérea foi simples. Escolhemos o dia e horário da viagem pela Latam. Liguei no call center e pedi que me informassem se naquele voo específico ainda havia vagas para pets. A Latam aceita até seis animais de estimação no mesmo voo, porém nem todas as aeronaves permitem animais na cabine e, além disso, só pode um peludo por passageiro. Nosso voo tinha as vagas, então confirmamos a compra com a reserva para dois pets, com 60 dias de antecedência, o que nos daria tempo de sobra para preparar toda a documentação para a entrada deles no Chile. A reserva de animais só é possível fazer por telefone, e eu insisti em receber um e-mail da Latam formalizando a confirmação.

No site há informações detalhadas sobre as regras, incluindo o peso máximo permitido e as dimensões e características da caixa de transporte. A Latam permite que, na cabine, o peso do animal, somado ao peso da caixa, chegue a até 7 quilos (o Chico precisou de dieta orientada pelo veterinário para garantir que não passaria do peso até a data da viagem).  Veja as regras completas.

Compramos uma caixa de transporte flexível para o voo
Compramos uma caixa de transporte flexível para o voo

Pagamos U$250 por animal de estimação (é… quase mais caro do que a nossa passagem), apenas no aeroporto ao fazer o check in.

É interessante saber a data de embarque antes de dar início à documentação, pois diversas providências giram em torno dela. Há documentos que só serão válidos se tiverem sido feitos dentro de 10 dias antes do embarque.

A documentação exigida pelo Chile para ingresso de animais

Há empresas de assessoria especializadas em fazer esse trâmite. No meu caso achei desnecessário, pois iniciei o levantamento de tudo o que era informação com bastante antecedência para não ter qualquer problema futuro. Mas para quem precisa fazer com menos tempo pode ser uma boa alternativa.

Com atenção aos detalhes é tranquilo providenciar tudo, que nem é tanta coisa assim.

Minha intenção é compartilhar nesse post a experiência pela qual passei, e principalmente as informações que não obtive tão facilmente. Mas é importante confirmar tudo antes da sua viagem pelos canais oficiais (site da vigilância agropecuária e/ou consulado do Chile). 

1. Vacina antirrábica (30 dias antes do embarque ou MAIS)

A primeira coisa a verificar é se as vacinas estão em dia. Especificamente para o Chile, a exigência é para a vacina antirrábica e ela precisa ser dada até 30 dias antes do embarque, caso esteja vencida ou vá vencer. Tem validade de 1 ano.

Importante: se ao apresentar a carteirinha de vacinação aos agentes da Vigilância Sanitária, nela não tiver o selinho da ampola, com número de lote, validade etc., o animal não será liberado. Então, certifique-se de que o veterinário cole esse selo na carteira de vacinação. Se o animal já estiver vacinado, confira se na carteirinha foi feito o registro adequado.

2. Tratamento parasitário externo e interno de amplo espectro (dentro de 30 dias antes do embarque)

Por incrível que pareça, aqui foi onde tive mais dúvidas.

Ao chegar na loja para comprar os remédios havia diversas opções, mas nem todas eram de amplo espectro, nem todas se adequavam ao peso dos meus gatos, tinha opção 2 em 1 (interno e externo) e tinha também interno e externo separados. Enfim, fiquei insegura, larguei tudo lá e corri ligar para a Vigiagro para me informar. Ainda bem que fiz isso! Foi nesse telefonema que eles me alertaram a aplicar o parasitário interno separadamente do externo. Não aceitam as soluções 2 em 1. Eles não me deram opções ou uma lista das marcas que aceitam ou não, acho que nem podem fazer isso. Então, expliquei as restrições ao veterinário e ele indicou algumas opções.

Comprei os medicamentos e levei até a clínica para aplicação, pois, assim como a vacina, ele precisa registrar o lote, o vencimento e outros dados do produto no atestado que fará.

Usei o Profender para o tratamento interno de amplo espectro (verminoses mistas) e o Advantage para externo (pulgas). Ambos do tipo spot on (aquela pipeta que aplica no pelo da nuca). Foram aceitos sem problemas.

Importante: Não jogue fora as embalagens dos remédios. Além do registro que o veterinário fará no atestado, para segurança, leve-as com você como outra forma de comprovação da data de validade, marca do produto etc. Quando se trata do bem-estar do seu peludo, melhor pecar pelo excesso. Há relatos de problemas ao chegar no aeroporto do Chile por conta da falta das embalagens para apresentar ao agente sanitário. Com sorte, você terá duas opções: mandar o pet de volta (judiação) ou aguardar no aeroporto até que chamem um veterinário para aplicação da medicação. É muito fácil evitar esse estresse para você e seu peludo.

3. Atestado do veterinário particular (dentro de 10 dias antes do embarque)

Existe um modelo específico de atestado a ser preenchido pelo veterinário do animal de estimação, disponível no site da Vigiagro.

Como esse procedimento precisa ser feito já muito perto do embarque, e ainda com tempo para os trâmites que virão a seguir, por segurança, eu já tinha levado o Chico e o Frajola dias antes para uma consulta, para me certificar de que tudo estava bem com eles (se não estivesse eu teria tempo para algum tratamento que fosse necessário). Aproveitei e já informei ao veterinário com antecedência sobre a necessidade do atestado, do parasitário e da vacina. Então, quando retornei para fazer o atestado estava  tranquila de que não teria qualquer problema.

4. Certificado Veterinário Internacional – CVI (entre 10 e 5 dias antes do embarque)

Para solicitar esse certificado precisa agendar hora na Vigiagro. Agendei por telefone com cerca de 30 dias de antecedência na unidade do aeroporto de Guarulhos. No entanto, há uma lista de outros locais no site da vigilância agropecuária. A pessoa que me atendeu informou que não é bom deixar para última hora, pois nem sempre tem horário disponível.

Importante: esse documento não é emitido na hora do embarque! Precisa ser solicitado antes e leva de 2 a 3 dias para ficar pronto.

Na data e horário marcados levei comigo a carteira de vacinação e o atestado do veterinário, além de documentos pessoais. Não é preciso levar os animais. Precisa levar cópia simples de tudo. Eu não levei e acabei perdendo o lugar na fila. Tive que sair da Vigiagro e encontrar um guarda-volumes do aeroporto onde fazem cópias. Com tudo em mãos, receberam e checaram meus documentos e, depois disso, pediram para que eu preenchesse eletronicamente (em um computador que fica no local), o formulário de requerimento do CVI. Haviam me informado ao telefone que, em Guarulhos, não precisava levar esse formulário já preenchido. Não se funciona da mesma forma em outras unidades.

Pedido protocolado, agendaram após 3 dias a retirada do certificado no mesmo local.

O dia da viagem com os pets

Escolhemos um voo no meio da tarde, pois é o horário em que nosso peludos já foram ao banheiro e costumam dormir. Achamos que seria mais tranquilo para eles e para nós também! Não queríamos ter problemas com necessidades felinas no meio do voo (rs). E não tivemos, mas mesmo assim eu havia colocado uma fralda de chão em cada caixa de transporte.

Viajando com animais de estimação
Frajola aguardando a hora de ir para o aeroporto

Chegamos com antecedência, despachamos as malas, mostramos a documentação e fomos encaminhados para uma loja da Latam no aeroporto para pagar a passagem deles. Já na área de embarque encontramos um local mais tranquilo para ficarmos, oferecemos petiscos e deixamos a porta da caixa de transporte aberta, mas com eles na coleira sempre.

Não demos qualquer tipo de medicamento para sedação, pois foi essa a recomendação da empresa aérea e do veterinário.

Eu estava muito tensa, super preocupada que eles pudessem se sentir mal com a pressão. Aparentemente não passou nada nesse sentido, mas o Frajola vomitou algumas vezes durante o voo, na decolagem, nas turbulências e na aterrissagem. Ele já costuma vomitar quando viajamos de carro e o voo balançou um pouco, então era de se esperar. Sabendo disso, eu tinha levado papel higiênico e saquinho plástico. Só não pensei em evitar que ele comesse algumas horas antes do voo. Fica o aprendizado para a próxima vez. Também levei um potinho para oferecer água durante o trajeto, mas como estavam assustados não queriam nada, só ficar quietinhos.

Para complicar um pouco, no desembarque, o avião pousou na pista. Então, tivemos de sair com aquele barulho altíssimo da turbina, para ir até o ônibus, em um calor lascado.

Procedimentos no aeroporto

Fizemos a imigração normalmente e, no aeroporto de Santiago, só após pegar as malas, a gente passa na Vigilância Sanitária. Informamos sobre os animais e chamaram um agente que checou os documentos emitidos no Brasil, deu uma olhada neles dentro da caixinha, foi muito simpático, conversou com eles, perguntou os nomes e… “adelante”!

Porém, outras pessoas com pets estavam ali aguardando pois, por algum motivo, não foram liberadas de primeira como nós. Então, vale a pena atentar aos detalhes para que tudo corra da melhor forma possível, já que é bem estressante (para nós e para eles), mesmo quando tudo dá certo.


Leia também o post Check list para mudança internacional em família.

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