Check list para mudança internacional com família

Qualquer mudança internacional exige planejamento. Mas, para marinheiros de primeira viagem, como nós, o difícil foi entender todas as etapas com as quais tínhamos de nos preocupar.

Não tive dúvidas. Elegi um bloco de anotações que passou a andar comigo 24 horas por dia. Ali, anotava tudo o que sabíamos que devia ser feito, o que nos diziam que devia ser feito, o que as pesquisas sobre o tema alertavam e, principalmente, tudo o que nos tirava o sono em plena madrugada.

Fiz um resumo dos aprendizados mais importantes, o qual compartilho aqui.

Primeiras providências

  • Visto e outros documentos: dar entrada na solicitação do visto mais adequado a sua situação. Verificar necessidade de documentação local (o RUT, no caso do Chile). Nosso processo foi feito por uma empresa especializada.
  • Passagem: definir a data de embarque e, se possível, comprar a passagem. Iniciar as providências partindo de uma data real de saída do país facilita muito o planejamento. O ideal é fazer isso com pelo menos três meses de antecedência. Lembro que é necessário apresentar o ticket aéreo se for contratar mudança. A reserva de vaga para animais de estimação no avião (quando for o caso), deve ser feita no momento da compra da passagem. Pois, caso deixe para depois, correrá o risco de não ter vaga disponível para o peludo no mesmo voo que o seu. Veja detalhes sobre como viajar com animais de estimação no post Com pets na bagagem.
  • Empresa de mudança: iniciar cotação para escolha daquela que se adeque melhor a sua necessidade, caso vá contratar container. Leia o post Como escolher uma empresa de mudança internacional.
  • Empacotamento da mudança: escolher a data assim que definir a empresa, pois a organização da casa leva algum tempo. Em nosso caso, saiu 30 dias antes de nosso voo, pois de ponta a ponta a mudança levaria 65 dias. Optamos por ficar metade do tempo sem as coisas na residência atual e metade do tempo sem as coisas na residência futura.

Três meses antes da mudança

  • Médicos e dentista: marcar consultas de rotina.
  • Animal de estimação: iniciar o processo de documentação para saída do país.
  • Imóvel: anunciar para venda ou locação. Se alugado, verificar no contrato os termos de rescisão.
  • Eletrônicos e eletrodomésticos: definir o que será preciso doar ou vender. No Chile, por exemplo, a voltagem é 220, portanto, nem todo equipamento valia a pena mandar na mudança.
  • Plantas: dar destino para as plantas em vasos. Nessa fase, quanto mais coisas forem sendo tiradas do domicílio, mais fácil e organizado será o dia do empacotamento.
  • Nova moradia: se possível, visitar o país de destino para conhecer bairros. No caso de quem tem crianças, buscar escolas. Ter algumas regiões em mente ajuda muito na hora de buscar um imóvel. Após vermos os bairros que nos agradavam passamos a selecionar imóveis pelo site https://www.portalinmobiliario.com/ (no Chile é uma excelente ferramenta) e a fazer contato com corretores mesmo estando no Brasil.
  • “Padrinhos locais”: converse com amigos para saber se não conhecem outros amigos que já morem no país de destino. Se você tiver a sorte de ser apresentado a alguém que se ofereça a tirar dúvidas, indicar contatos, falar sobre bairros, entre outras coisinhas, lhe será muito útil.  Nossos padrinhos foram a Patricia e o Paulo, que já estavam morando no Chile por dois anos. A ajuda que nos deram foi imensurável. Não adianta mais procurar por eles, pois infelizmente já voltaram para o Brasil (rs).  Apesar de não ser exatamente a mesma coisa, há sempre a opção de contratar empresas de assessoria que fazem esse papel.

Dois meses antes da viagem

  • Redução na despensa: verificar a lista do que é proibido ir no container e iniciar a redução do que não pode embarcar, como alimentos e produtos de limpeza. Bebidas alcoólicas são permitidas em quantidade de até 12 garrafas fechadas. Aproveite a deixa e faça uma festinha de despedida com os amigos usando tudo o que já está aberto.
  • Objetos da casa: nessa fase já é bom iniciar a separação. Veja dicas sobre isso mais abaixo.
  • Transformadores e adaptadores: verificar a voltagem do destino. No Chile é 220V, mas decidimos trazer coisas como cafeteira, torradeira e aspirador. Então, compramos transformadores no Brasil, pois são mais baratos, e despachamos no container.
  • Nova moradia: cerca de 2 meses antes da mudança voltamos ao Chile para visitar imóveis previamente selecionados. Saímos do Brasil com as visitas já agendadas para que nossa viagem fosse produtiva. E foi! Não temos filhos, senão nesse momento também iríamos verificar mais detalhes sobre escola.

Um mês antes

  • Imóveis da origem e do destino: solicitar pintura, dedetização e reparos eventualmente necessários. Dica: se for levar tapete ou sofá no container não mande lavar antes, pois podem chegar ao destino embolorados por conta da embalagem impermeável.
  • Automóvel: anunciar para venda.
  • Medicamentos: fazer lista dos medicamentos de uso pessoal que serão necessários, pelo menos durante a fase de estabelecimento no novo país.
  • Carteira de motorista: no Chile, após 3 meses em posse da identidade local, é obrigatório ter a carteira de habilitação chilena. Mas, para conseguir emiti-la, precisa de apostilamento e tradução do diploma escolar ou universitário, e isso só é possível fazer estando no Brasil.

A organização dos objetos pessoais

Para facilitar, solicitamos previamente algumas caixas à empresa de mudança. Eles fazem todo o trabalho de empacotamento e nem aceitam caixas prontas, senão, o seguro não tem validade. O que fiz foi usá-las para ajudar na separação entre o que vinha e o que não.

Iniciamos a definição do que iria no container, do que ficaria no Brasil e do que levaríamos em malas para usar até que a mudança chegasse. Ou seja, uma troca de toalhas e roupas de cama, um jogo de talheres, de pratos e de copos e vestuário para um mês, foram essenciais. Esses itens também usamos na residência do Brasil após sair o container.

No dia de empacotamento o melhor é já ter tudo classificado. Isso porque são várias pessoas querendo saber, ao mesmo tempo, o destino de cada um dos milhares de objetos de uma casa inteira.

Para ajudar nessa tarefa usei “post its” de três cores diferentes:

  1. Rosa – não vai
  2. Amarelo – vai na mala
  3. Azul – liberado para container

Definimos armários diferentes para cores diferentes. Artigos menores já separamos nas caixas fornecidas.

Como iniciei a separação com tempo suficiente fui planilhando tudo. Isso ajudou na conferência das caixas quando a mudança foi entregue.

Na data agendada para sair o container, o empacotamento foi bem rápido. Ao fim da tarde, nosso apartamento inteiro já havia se transformado em caixas.

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